quarta-feira, 13 de março de 2019

CRÔNICA DE MAITÊ PROENÇA



"Tenho um namorado que ama a bola. É uma pessoa cheia de virtudes, mas, se há uma constância em seu caráter, esta é a impontualidade. Não consegue chegar na hora, o mundo o atrapalha, a menos é claro no caso do futebol. Não falo aqui daquele jogo no estádio com hora oficial para começar, refiro-me à pelada, ao racha, àquele bate-bola entre amigos, que no caso aqui de casa acontece três vezes por semana. O campo é longe, uma viagem, o sol a pino - não importa. Dia do compromisso logo cedo o moço fica ansioso, não pode atrasar e não há imprevisto que o segure. Nesses dias meu amor é um britânico!


Sábado desses resolvi acompanhá-lo. Os companheiros de partida, esbeltos desportistas, não gostaram nadinha, mas, gentis, fizeram que sim. Aquilo não é lugar de mulher, eu já devia saber. Para compensar o mal-estar, começa o jogo e eu bato muita palma, exagero o entusiasmo, assovio e tanto faço que o dono do campo a quem eu bajulava escancaradamente sentiu-se na obrigação de me dedicar um gol. Segue o embate com altos e baixos, a coisa aquece e pimba... um golaço, aquele chutão do meio do campo para dentro da rede à Roberto Carlos. As más-línguas desmerecendo o artilheiro dizem que o momento é histórico e não se repetirá - não acredito, foi jogada de mestre; vi e guardarei na memória. Continua a partida com bons momentos, outros nem tanto, uma contusão aqui, uma falta ali, um corpo caído no chão. De repente me bate uma estranheza e vou percebendo que acima da bola, das jogadas, do corre para lá e para cá, o que mais se via, na verdade, eram discussões, ofensas, xingamentos e uma roubalheira de fazer corar um palmito. A coisa chegou a um ponto em que tive a certeza de que terminado aquilo os adversários não voltariam a se falar. Acaba o jogo. Entre vitórias e desilusões, corre-se para o vestiário e devo dizer que nem na feira fala-se tão alto e ao mesmo tempo quanto num banheiro cheio de homens; eu não estava dentro, mas nem precisava... Fiquei quietinha do lado de fora esperando meu namorado, que, pela delonga, tomava um banho de Cleópatra. Assim, pude observar bem os outros rapazes que sorridentes e limpinhos iam saindo do vestiário qual amigos de infância. Aqueles mesmos que há pouco se juravam de morte agora pavoneavam-se uns para os outros aos tapinhas nas costas. Havia ali cantores-compositores, um sapateiro, o editor de um jornal, um empresário da música, atores, um jogador aposentado, dois médicos e alguns moços das redondezas empobrecidas cuja competência em campo desequilibrara o jogo - tudo adversário de sangue na hora da bola e amigo do peito na saída para o chope. Na pelada não há rancores, o que se passa em campo fica no campo. Nem pudores, ali são todos craques - o vírus da imodéstia ataca democraticamente. Uma beleza!

Fui-me embora com um vazio a futucar o espírito. O que nós, mulheres, temos de parecido, o shopping, o salão? Nem chegam perto. Não pode xingar, espernear, soltar os sapos da garganta - além do que, num e noutro, o máximo de exercício que se faz é com a língua na futrica da vida alheia - muito chato. Não havia como negar, o brinquedo dos rapazes é divertido como só, e meu vazio era de inveja.
Nós, mulheres, não temos nada que se compare."

Obrigado a Maitê Proença por autorizar a publicação neste humilde blog.

Ps: Mostre isso à sua mulher, quem sabe ela deixa você ir todo sábado.



segunda-feira, 11 de março de 2019

COMO FAZER PARA NÃO TOMAR UM CHAPÉU E UMA CANETA?




Todos sabem como é difícil para alguns jogar um futebol que encha os olhos. Em nossa pelada, não é diferente, temos atletas, que são bons de bola e temos aqueles que ainda insistem em aparecer no sábado no Clube Progresso.

Na esteira desses que jogam bola, nesse sábado dia 09/03/2019 apareceu o Jadir, indicação do nosso amigo Coruja. Aliás, Coruja não só tem se tornado um bom amigo de todos, como também a exemplo do Marco Antônio, nosso Marcão, vem sistematicamente aparecendo nos noticiários de segunda-feira. Mas esse assunto comento depois.

Para falar um pouco da pelada de sábado, novamente tivemos um bom número de participantes, haja vista que tivemos que inovar na escolha de alguns times. Neste contexto, nosso ex-roliço Cristiano se deu bem. Além de se livrar de jogar com Vovô, Kelsem, Rocha, William no mesmo time, deu a sorte de ganhar quase todos os jogos e ser agraciado com a medalha do craque do sábado.

Falando um pouco do grupo de WhatsApp, toda sexta-feira, rola a lista daqueles que vão participar da pelada e agora também está rolando a lista dos que vão apresentar alguma desculpa. E para ver se isso acaba, pois a intenção é contar com a participação de todos do grupo na pelada, segue a infame lista:

1)         Coruja – Continua no interior vendendo frango; Quem escreveu, quebrou a cara. Coruja foi;
2)         Fraklin – A mulher chutou o joelho dele por não receber um bom dia amor no dia internacional das mulheres;
3)         Clinton – Gastando o dinheiro da pelada em Floripa, comendo uma sequência de camarão;
4)         Vovô – Avisou que não vai, só para reclamar que foi e não jogou na primeira; Outro que foi e se deu bem;
5)         João Carlos – Se a mulher deixá-lo vai direto da gandaia;
6)         Keko – Tem que fazer um bacalhau primeiro para a Cássia, senão fizer tem que levar a família toda novamente; Mais um que deu as caras só para contrariar que escreveu no grupo;
7)         Amarildo – Tem que fazer uma instalação de Ar condicionado, se der vai depois para a resenha; Conseguiu instalar o Ar e foi mais tarde;
8)         Ciro, Só vai se o Geraldinho for, pois esse sábado é a vez do Geraldinho ir e só vai se jogarem no mesmo time; Foi pois pegou carona com Geraldinho;
9)         Cristiano – Vai fazer lanternagem na coluna, pois tá roliço ainda e não para de cair na pelada; Foi contrariando ordens médicas e foi o craque do dia;
10)       Diogo – Se o correio liberar ele vai. Vai levar um par de chuteiras novas que ganhou de presente
11)       Gilbertinho – Só vai quando crescer a arvore perto do campo;
12)       Hamilton – Só vai se a mulherada deixar;
13)       Lucélio – Só vai se a Tia for;
14)       Marcinho – Está fazendo uma recapagem e não vai poder ir;
15)       Rafael – Só vai se o Marco Antônio liberar ele do Banco;
16)       Ramon – Vai , mas vai vestido de guerrilheiro, para depois ir para o Paintball;
17)       Rato – Não sabe se vai ou não vai, tem que olhar na agenda se a patroa está liberada para o amor primeiro;
18)       Tiago – Vai esperar até a última pizza para decidir se vai entrega-la ou se vai jogar bola; Entregou a última pizza as quatro da manhã e foi jogar bola;
19)       Willian – Está esperando o povo esquecer do chapéu que levou do Breno, para não ser zoado, senão ele chora como disse o Carmelito; Foi jogar bola, exclusivamente para tentar dar um chapéu no rocha e não conseguiu;
20)       Estopa – Vai de táxi, cansou do Uberestopa. Ganhou muito dinheiro no carnaval e vai para sabará pular carnaval;
21)       Murilo – Vai cobrir a folga do Estopa no Uber.
22) Pereira - Vai instalar um aparelho de Raio X e Vitória, mas é Jatdim Vitória; Foi, mas passou vergonha no gol.


Dito isso, chegou a vez de homenagear nosso amigo Coruja, que como escrevemos antes, tem se tornado o cara da pelada. Outro dia, foi a caneta vexatória que tomou do Rocha e nesse sábado, Vovô tirou sua medida em um chapéu magnífico. Fazer o que né? Melhor que vender frango.



A todos um abraço e uma boa semana. Que Deus esteja no coração de todos!

Feliz Ano Novo. Agora o ano começa.




quinta-feira, 7 de março de 2019

SÁBADO DE CARNAVAL. O QUE ACONTECEU LÁ, FICOU POR LÁ.







Já dizia o velho sambista “as águas vão rolar, garrafa cheia eu não quero ver sobrar”, então foi assim. Não sobrou pedra sobre pedra, na pelada do dia 02/03/2019, afinal de contas, apesar do número reduzido de atletas, tivemos futebol.

Como já estamos acostumados, por já termos vivenciados mais de 12 carnavais na “Pelada do Rocha”, a quantidade de jogadores naquele sábado foi o suficiente para praticarmos um razoável futebol, com direito a caneta, chapéu e jogador deitado no chão.

Na passarela, digo campo, tivemos jogadas espetaculares, primeiro pela caneta do Kelsem no Ciro, segundo o canetado, a jogada sem querer não vale, mas fica registrado no currículo do irmão do Clintão.

Outro que se destacou na pelada, foi Kekudson ou Keko como gosta de ser chamado, além de levar toda a família para vê-lo jogar, deu diversas assistências para o Rocha fazer a festa.

Para não ficar atrás dos demais, Cristiano nosso ex gordinho, bem que tentou jogar, mas o gramado do Clube do Progresso não ajudou muito, fazendo com que após uns dois tombos nosso antigo barrigudinho, pediu para sair com dores na coluna.

Mais um que reclamou desde a hora que chegou foi Marco Antônio, além de reclamar de uma dor insistente na batata da perna ou panturrilha como queiram, teve sua atuação destacada quando em um lance dentro da pequena área de seu time desabou como um abacate maduro ao tentar tirar a bola do Breno Hexa Cabuloso, que vem melhorando seu futebol a cada dia.

Finalmente e para não ser cobrado no próximo sábado, Breno Hexa Cabuloso em uma jogada de mestre aplicou um chapéu magnífico no Rogério, isso porque o Rogério tentou fazer o mesmo com ele e recebeu o troco imediatamente.



E foi assim, o começo do carnaval na “Pelada do Rocha”, time com dois goleiros novamente, Carmelito perdendo gols incríveis, gente viajando, gente preso em casa pois a mulher não deixa ir jogar bola, Rocha fazendo gols, cerveja na resenha e um samba enredo tocando ao fundo.

Aproveitando a oportunidade, deixamos aqui nosso beijo carinhoso e um abraço apertado em todas as nossas mulheres, que elas aproveitem bastante. Vocês merecem.




Abraços e boa semana a todos!